quinta-feira, 6 de maio de 2010

SUZANA VIEIRA E O MILAGRE DO PHOTOSHOP










Podem acreditar que o programa é poderoso conforme voces podem verificar diante do antes, antes, durante e o depois.

segunda-feira, 22 de março de 2010

CRISTOVAM BUARQUE A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR

ESSA CALOU OS AMERICANOS.!!!SHOW DO MINISTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO NOS ESTADOS UNIDOSEssa merece ser lida, afinal não é todo dia que um brasileiro dá um esculacho educadíssimo nos americanos!Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionadosobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso."Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade."Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazôniapara o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar oudiminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.""Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria serinternacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação."Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietárioou de um país. Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro deum grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado."Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York,como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro."Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nasmãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil."Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro."Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!
CELUI-LÀ A FAIT TAIRE LES AMÉRICAINS. ! ! ! EXPOSITION DU MINISTRE BRÉSILIEN D'ÉDUCATION AUX ÉTATS-UNIS Celui-là mérite d'être lue, n'est après tout pas tout jour que un Brésilien d'une leçon de civilisation dans les Américains ! Pendant débat à une université, aux États-Unis, l'ex-governador de DF, l'ex-ministro de l'éducation et l'actuel sénateur CRISTÓVAM BUARQUE, a été interrogé sur que il pensait de l'internationalisation de l'Amazonie. Jeune Américain a introduit sa question en disant qui attendait la réponse d'un Humaniste et non d'un Brésilien. Celle-ci a été la réponse de Sr.Cristóvam Buarque : " ; En fait, comme brésilien moi simplement parlerais contre l'internationalisation de l'Amazonie. Quoique nos gouvernements n'aient pas les dus soins avec ce patrimoine, il est nôtre. " ; Comme humaniste, en sentant le risque de la dégradation environnementale qui souffre l'Amazonie, je peux imaginer son internationalisation, comme aussi de tout o plus qu'il a de l'importance pour l'humanité. " ; Si l'Amazonie, sous un moral humaniste, doit être internationalisée, internationalisez aussi les réserves de pétrole du monde entier. Le pétrole est aussi important pour le bien-être de l'humanité que l'Amazonie pour notre avenir. Malgré de cela, les propriétaires des réserves se sentent dans le droit d'augmenter ou diminuer l'extraction de pétrole et le monter ou non sa preço." ; " ; De la même manière, le capital financier des pays riches devrait être internationalisé. Si l'Amazonie est une réserve pour tous les êtres humains, elle ne peut pas être brûlée par la volonté d'un propriétaire, ou d'un pays. De brûler l'Amazonie est aussi grave que le chômage provoqué par les décisions arbitraires des spéculateurs globaux. Nous ne pouvons pas laisser que les réserves financières servent pour brûler des pays entiers dans la volupté de la spéculation. " ; Même avant l'Amazonie, j'aimerais voir de l'internationalisation des tous les grands musées du monde. Le Louvre ne doit pas appartenir seulement à la France. Chaque musée du monde est gardien des plus belles pièces produites par le génie humain. Ne se peut pas laisser ce patrimoine culturel, comme le patrimoine naturel Amazonien, soit manipulé et instruit par le goût d'un propriétaire ou d'un pays. Il ne fait pas beaucoup de, un millionnaire japonais, a décidé d'enterrer avec lui, un tableau de un grand maître. Avant cela, ce tableau devrait avoir été internationalisé. " ; Pendant cette rencontre, les Nations Unies réalisent le Forum du Millénaire, mais quelques présidentes de pays ont eu des difficultés à comparaître par des contraintes dans la frontière des E.U.A. Donc, je trouve que New York, comme siège des Nations Unies, il doit être internationalisé. Pour le moins Manhattan devrait appartenir à la toute l'humanité. Ainsi que Paris, Venise, Rome, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, chaque ville, avec sa beauté spécifique, son histoire du monde, devrait appartenir au monde entier. " ; Si les E.U.A. veulent internationaliser l'Amazonie, par le risque de la laisser nas mains de Brésiliens, internationalisez tous les arsenaux nucléaires des E.U.A. Même parce qu'ils déjà ont démontré ils que sont capables d'utiliser ces armes, en provoquant à une destruction des milliers de fois plus grandes de ce que les lamentables incendies de forêt faits dans les forêts du Brésil. " ; Je défends l'idée d'internationaliser les réserves forestières du monde en échange la dette. Commencez en utilisant cette dette pour garantir que chaque enfant du Monde ait possibilité DE MANGER et d'aller à l'école. Internationalisez les enfants en traitant eux, toutes elles, en n'important pas n n'important pas le pays ils où né, je mange patrimoine qui mérite des soins du monde entier. " ; Comme humaniste, accepté défendre l'internationalisation du monde. Mais, tant que le monde me traitera comme Brésilien, je combattrai pour que l'Amazonie soit nôtre. Seulement nôtre !
THIS SILENCED THE AMERICANS.! SHOW OF THE BRAZILIAN MINISTER OF EDUCATION IN THE UNITED STATES This deserves to be chore, after all is not all day that a Brazilian of the one lesson of civilization in the Americans! During debate in a university, in the United States, the former-governor of the DF, former-minister of the education and current senator CRISTÓVAM BUARQUE, were questioned on what he thought of the internationalization of the Amazônia. The young American introduced its question saying that he waited the reply of a Humanist and not of a Brazilian. This was the reply of the Sr.Cristóvam Buarque: " In fact, as Brazilian I simply would speak against the internationalization of the Amazônia. No matter how hard our governments do not have the well-taken care of had one with this patrimony, it he is ours. " As humanist, feeling the risk of the ambient degradation that suffers the Amazônia, I can imagine its internationalization, as well as of everything more than it has importance for the humanity. " If the Amazônia, under an ethical humanist, must be internationalized, also internationalizes the reserves of oil of the entire world. The oil is so important for well-being of the humanity how much the Amazônia for our future. Although this, the owners of the reserves feel themselves in the right to increase or to diminish the extration of oil and to go up or not it its preço." " In the same way, the financial capital of the rich countries would have to be internationalized. If the Amazônia is a reserve for all the human beings, it cannot be burnt by the will of an owner, or a country. To burn the Amazônia is so serious how much the unemployment provoked for the arbitrary decisions of the global speculators. We cannot leave that the financial reserves serve to burn entire countries in the volúpia of the speculation. " Before exactly the Amazônia, I would like to see the internationalization of all the great museums of the world. The Louvre does not have to belong only to France. Each museum of the world is guard of the most beautiful parts produced for the human genius. Not if this cultural patrimony can leave, as the Amazonian natural patrimony, either manipulated and instructed for the taste of a proprietor or of a country. It does not make very, a Japanese millionaire, decided to embed with it, a picture of a great master. Before this, that picture must have been internationalized. " During this meeting, United Nations they are carrying through the Fórum of the Millenium, but some presidents of countries had had difficulties in appearing for constaints in the border of U.S.A. Therefore, I find that New York, as headquarters of United Nations, he must be internationalized. At least Manhattan the humanity would have to belong to all. As well as Paris, Venice, Rome, London, Rio De Janeiro, Brasilia, Recife, each city, with its specific beauty, its history of the world, would have to belong to the entire world. " If U.S.A. wants to internationalize the Amazônia, for the risk to leave it nas hands of Brazilians, let us internationalize all the nuclear armories of U.S.A. Even because they already had demonstrated that they are capable to use these weapons, provoking to a destruction thousand of bigger times of what the lamentable forest fires made in the forests of Brazil. " I defend the idea in exchange for to internationalize the forest reserves of the world the debt. Let us start using this debt to guarantee that each child of the World has possibility TO EAT and to go to the school. Let us internationalize the children treating them, all they, not importing the country where they had been born, as patrimony that deserves cares of the entire world. " As humanist, accepted to defend the internationalization of the world. But, while to treat me to the world as Brazilian, I will fight so that the Amazônia either ours. Only ours!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

DISCURSO DO ESQUIZOFRÊNICO NO DISCURSO RELIGIOSO

A inscrição do discurso do esquizofrênico
no discurso religioso
Patrícia Laubino Borba
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Resumo: O estudo investiga o estabelecimento de referência no discurso do esquizofrênico
na perspectiva da Análise do Discurso de Michel Pêcheux. Para tanto, nos apoiamos em
uma entrevista em que o paciente se inscreve no discurso da igreja pentecostal e estabelece
referências a referentes pré-construídos nesse discurso. Para analisarmos o funcionamento
da referência realizada pelo paciente, estudamos primeiramente como os fiéis nãoesquizofrênicos
dessa igreja referenciam esse discurso, para podermos comparar os dois
funcionamentos. Nossas conclusões a respeito dessa análise são que, apesar de haver
estabelecimento de referência no discurso do esquizofrênico e essa ser submetida ao
interdiscurso, há nesse discurso um efeito de imposição, ao invés de adesão, como ocorre
nos discursos dos não-esquizofrênicos.
Palavras-chave: referência; Análise do Discurso; discurso esquizofrênico.
Neste estudo, trabalharemos com o discurso do psicótico,1
mais especificamente com um tipo de psicose, a esquizofrenia. Nosso
objetivo é examinar como ocorre a inscrição desse discurso patológico
no discurso religioso.2
Dentre os discursos religiosos, escolhemos o das igrejas
evangélicas, porque, conforme veremos, os doentes mentais são mais
facilmente acolhidos por essas instituições religiosas do que por
outras. Abordaremos a questão da inscrição do discurso do
esquizofrênico no discurso pentecostal a partir do estabelecimento
de referência, no discurso patológico, a pré-construídos do discurso
religioso. Essa reflexão estará embasada no arcabouço teórico da
Análise do Discurso de Michel Pêcheux.
Antes de refletirmos a respeito do discurso do esquizofrênico,
analisaremos, brevemente, a referência ao discurso religioso por fiéis
não-psicóticos da religião pentecostal,3 a fim de podermos compará-
1 Na psicanálise, há três constituições subjetivas: a neurose (que podemos
pensar como a normalidade), a psicose (que comumente é denominada
como doença mental) e a perversão.
2 Para estudo mais aprofundado a respeito das questões de referência e
funcionamento do discurso patológico, ver Borba (2006).
3 Designaremos como fiéis não-psicóticos da religião pentecostal todos os
demais seguidores das igrejas evangélicas. Ou seja, queremos trazer o
funcionamento discursivo religioso normal, o corpus que seria classicamente
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la à referência estabelecida a esse mesmo discurso por um fiel
esquizofrênico da mesma religião. Posteriormente, estudaremos
como ocorre a apreensão dos referentes pré-construídos dos discursos
bíblico e pentecostal pelo paciente estudado.
As seqüências discursivas de referência (SDR) que serão
estudadas são de um paciente esquizofrênico (J.V., 43, sexo
masculino)4 que se identifica, de alguma forma, com o discurso
religioso: eu já fui crente 10 anos. Ao estudarmos as referências a este
discurso, estaremos também estudando, de forma geral, como acontece
a apropriação de um discurso, no caso o discurso religioso, por parte
de um paciente esquizofrênico. Acreditamos que nosso trabalho
colabora para o estudo a respeito do funcionamento do discurso do
psicótico e, mais especificamente, do discurso do esquizofrênico.
Ao se dizer crente, o paciente se inscreve no discurso das
religiões pentecostais. Apesar de existirem várias igrejas autônomas,
sendo as mais representativas a Assembléia de Deus e a Universal
do Reino de Deus, as diferenças relacionam-se mais ao culto e às
estruturas internas que propriamente aos dogmas religiosos. Além
disso, essas igrejas suprem uma carência social imposta pelo sistema
econômico vigente, colocando-se como detentoras da solução de
problemas familiares e econômicos de seus adeptos. Desse modo,
encontram uma demanda não suprida por nenhuma outra religião.
Em relação ao doente mental, essas igrejas proporcionam a
sua reintegração social, por meio da reintrepretação de sua doença.
Como nos mostra Figueiredo (2000), as religiões pentecostais
interpretam a doença mental como possessão demoníaca, exigindo,
assim, a atuação da igreja para exorcizar o demônio. Essa perspectiva
desloca a posição do paciente de um incapacitado mental e excluído
do mercado de trabalho para uma vítima de espíritos obsessores. A
igreja torna-se, assim, a única forma de salvação. Os doentes mentais
são sempre bem recebidos pelas igrejas, havendo também visitas dos
integrantes dessas igrejas aos hospitais psiquiátricos para a
conversão dos pacientes.
estudado na Análise do Discurso para pensar o discurso religioso, para ser
cotejado com o discurso patológico.
4 O corpus em que será analisado o discurso do esquizofrênico é constituído
de entrevista de um paciente realizada pelo grupo de pesquisa “Lingüística
e Psicanálise” sob a coordenação de Margareth Schäffer e cedido para o
nosso estudo.
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A fim de estudarmos a apropriação dos referentes préconstruídos
bíblicos pelo paciente esquizofrênico e de fiéis nãoesquizofrênicos,
analisaremos, preliminarmente, as citações de textos
bíblicos feitas por um pastor e por seguidores da religião pentecostal.5
O objetivo dessa análise é estabelecer comparações entre as
apropriações dos referentes bíblicos realizadas pelos integrantes
não-psicóticos da igreja – o primeiro na posição de detentor da
interpretação da igreja e o segundo na de aprendiz desses
conhecimentos – e aquela do paciente. Iremos nos deter na questão
da utilização dos referentes bíblicos no discurso do pastor, do adepto
e do paciente, todos fiéis da igreja pentecostal.
Utilizaremos um trecho da fala de um pastor da religião
pentecostal para analisar como é produzida a referência a partir de
um referente bíblico, o Reino dos Céus:
A Bíblia fala o seguinte: É chegado o Reino dos Céus. Esse
Reino dos Céus tem que ser vivido aonde? Aqui na terra,
porque lá no céu ninguém vai comer, ninguém vai vestir;
porque lá nós somos espíritos; não precisa ter fartura lá;
ninguém vai ter fome. Essa abundância que Deus promete é
aqui na terra, como ele prometeu a Abraão, Isaac, Jacó e os
demais. Se Ele falou em trazer só vida, e vida com abundância,
Ele não pode chegar e condenar a pessoa a ter uma vida
fracassada, uma vida na miséria, cheia de problemas financeiro,
familiar, espiritual, sentimental, ou em qualquer sentido da
vida dela (SDR I,6 seqüência discursiva de um pastor, apud
Figueiredo, 2000, p.130).
Para compreender qual é o estatuto do discurso do pastor,
recorremos a Orlandi (1993), que afirma que o discurso religioso dá
significação àquilo que é silenciado no discurso de Deus, ou seja, “no
discurso religioso, em seu silêncio, ‘o homem faz falar a voz de
Deus’” (idem, p.30). A partir disso, podemos entender como acontece
a reinterpretação do discurso bíblico do ponto de vista das igrejas
pentecostais.
O Reino dos Céus como referente do discurso bíblico está
relacionado, no Novo Testamento, a algo que virá: O Reino dos Céus
5 Essas seqüências discursivas foram retiradas de Figueiredo (2000); as
análises são de nossa autoria.
6 Numeraremos as seqüências discursivas de referência de não-esquizofrênicos
com números romanos.
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se tem aproximado [Mateus 3:2; 10:7]. Compararemos o recorte do
discurso do pastor a um trecho da Bíblia em que está sendo construído
esse referente:
5 A estes doze enviou Jesus dando-lhes as seguintes ordens:
“Não vos desviei para estradas das nações, e não entreis em
cidade samaritana; 6 mas, irdes, pregai, dizendo: “O reino dos
céus se tem aproximado”. 8 Curai doentes, ressuscitais mortos,
tornai limpos os leprosos, expulsai demônios. De graça
recebestes, de graça dai. 9 Não adquirais nem ouro, nem prata,
nem cobre, para os bolsos dos vossos cintos. (Mateus 10:5).
Na Bíblia, o referente Reino dos Céus está relacionado à pregação,
que, por sua vez, está relacionada ao desprendimento dos bens
materiais. No discurso do pastor, porém, esse referente pré-construído
é apreendido a partir do discurso econômico – no céu ninguém vai
comer, ninguém vai vestir; não precisa ter fartura lá [no céu]; ninguém vai
ter fome; vida com abundância; uma vida fracassada; vida na miséria; cheia
de problemas financeiro. A referência ao discurso bíblico produzida no
discurso das pentecostais é heterogênea, por comportar um discurso
econômico, além do discurso religioso. Ou seja, os sentidos deslizam,
tornam-se diferentes.
Desse modo, houve, por parte do discurso pentecostal, uma
apropriação e uma ressignificação do referente pré-construído bíblico.
A apropriação deve-se ao fato de o pastor utilizar as palavras da
Bíblia para sustentar a formação discursiva pentecostal. A ressignificação
acontece a partir da utilização de outros saberes para a
elaboração de novos sentidos que estão sendo vinculados ao discurso
pentecostal, ou seja, a construção do referente é um trabalho
discursivo.
Vemos que, além do silêncio intrínseco ao discurso religioso,
estudado por Orlandi (1993), há também momentos de silenciamento,
ou, mais explicitamente, de censura dos trechos bíblicos que se
contrapõem ao discurso econômico, como, por exemplo, a seguinte
passagem: De graça recebestes, de graça dai. Não adquirais nem ouro, nem
prata, nem cobre, para os bolsos dos vossos cintos. No Quadro 1,
comparamos o referente bíblico com o pentecostal:
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Referente (bíblico): Referente (pentecostal):
Reino dos Céus Reino dos Céus
Matheus 3:2; 10:7 e 23:13 Religião pentecostal
É outro plano: O reino dos céus É a terra: Essa abundância que Deus
se tem aproximando. promete é aqui na terra
É ilusoriamente homogêneo. Heterogêneo: Discurso
econômico.
Desprendimento dos -
bens materiais.
- Soluções para os problemas
sócio-econômicos atuais.
Quadro 1: Referente Reino dos Céus
A seguir, estudaremos a apropriação do referente bíblico
possessão, no discurso de um adepto da crença pentecostal, para a
construção da referência à doença mental:
Essas coisas são causadas por um espírito maligno. Somente
um Ser maior, que é Deus tem condição de arrancar essa doença
que é causada por ele. (SDR II, seqüência discursiva de um
familiar de um paciente, ambos adeptos à religião pentecostal,
falando da doença mental, apud Figueiredo, 2000, p.166)
O texto bíblico que está sendo retomado é A Cura do Menino
Endemoninhado [Marcos 9:17]:
17 E um da multidão respondeu-lhe: “Instrutor, eu te trouxe
meu filho, porque tem um espírito sem fala; 18 e, onde quer
que o apanhe, lança-o ao chão, e ele espuma e range os dentes,
e perde a sua força. E eu disse aos teus discípulos que o
expulsassem, mas eles não foram capazes”. 19 Em resposta, ele
lhes disse: “Ó geração sem fé, até quando terei de continuar
convosco? Trazei-lo” 20 De modo que lho trouxeram. Mas à
vista dele, o espírito lançou [o menino] imediatamente em
convulsões, e depois de ele cair ao chão, rolava por ali
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espumado. 21 E perguntou ao pai dele: “Há quanto tempo lhe
acontece isso? Ele disse: ‘Desde a infância; 22 e repetidas vezes
o lança tanto no fogo como na água para o destruir. Mas, se
puderes fazer algo, tem pena de nós e ajuda-nos”. 23 Jesus
disse-lhe: “esta expressão: ‘Se Puderes! Ora, todas as coisas
podem suceder ao que tem fé.” 24 Clamando imediatamente,
o pai do menino dizia: “Tenho fé! Ajuda-me onde necessito de
fé!”.
Como podemos observar, o referente endemoninhado, na Bíblia,
não está relacionado com a questão da loucura. Essa relação é
estabelecida a partir de uma reinterpretação desse referente bíblico7
pela igreja pentecostal, produzindo, assim, a referência loucura. Essa
reinterpretação acontece em um ponto de silenciamento do texto
bíblico. Não há respostas, na Bíblia, para a questão: qual é a origem
da loucura? Para responder a isso, é necessário colocar sentidos
novos nesse texto. É necessário também silenciar outros trechos que
seriam incompatíveis com essa reinterpretação do referente bíblico
endemoninhado, como todos trechos que falam da loucura, pois esses
não a relacionam à possessão demoníaca: Sa 21:15; Jo 10: 20; 1Co 14:
23; 2Co 11: 23; 2Pe 2:16 e At 26: 24. A referência produzida no
discurso pentecostal é heterogênea, porque, já que a doença é
percebida como uma possessão, é necessário aproximar discursos
diferentes: o do médico com o do religioso.
É necessário ressaltar que as referências produzidas pelos
pastores das igrejas pentecostais possuem uma estabilidade relativa,
na medida em que outros discursos poderão ser utilizados pelos
pastores na apropriação dos referentes bíblicos. A utilização de
discursos exteriores e, muitas vezes, contraditórios, está relacionada
às condições de produção do discurso dos pastores.
Porém, a referência do discurso pentecostal ao pré-construído
bíblico se transforma em referente pré-construído para os fiéis, pois
eles não têm acesso ao processo de reinterpretação da Bíblia, somente
aos sentidos dessa reinterpretação, feita pela igreja pentecostal. No
Quadro 2, fazemos uma distinção entre o referente bíblico, o referente
pentecostal em relação ao seu processo de reinterpretação da Bíblia
e o referente pentecostal que é acessível aos fiéis:
7 Apesar de o sintoma que o menino demonstra ter, na passagem bíblica
citada, ser de epilepsia, é retratado, na Bíblia, como um caso de possessão
demoníaca.
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Referente (bíblico): Referente construído Referente
Possessão em relação ao (pentecostal – objeto
discurso bíblico discursivo pré-construído
(pentecostal – surge apropriado pelos fiéis
a partir de um processo em geral, excluindo
de reinterpretação os pastores):
da bíblia):Loucura Loucura como possessão
É ilusoriamente Heterogêneo: É ilusoriamente
homogêneo. Percebe a doença homogêneo:
mental como sendo Não existe a doença
produto da possessão. mental, apenas
a possessão.
Silêncio em relação Busca saber/ A possessão é
à origem da loucura construir qual a origem da loucura.
a origem espiritual
da loucura
Trechos da Bíblia - -
que não relacionam
a loucura à
possessão: Sa 21:15;
Jo 10: 20; 1Co 14: 23;
2Co 11: 23; 2Pe 2:16
e At 26: 24.
Quadro 2: Referente Possessão
Pêcheux (1975) nos ensina que a interpelação do indivíduo
como sujeito de seu discurso dá-se a partir da identificação desse
sujeito com a forma-sujeito da formação discursiva que o afeta. A
relação que o sujeito enunciador estabelece com os pré-construídos
vinculados à forma-sujeito marca a tomada de posição discursiva do
sujeito enunciador. O sujeito enunciador pode estar em superposição
à forma-sujeito, aderindo plenamente aos saberes pré-construídos
da formação discursiva; pode questionar esses pré-construídos,
contra-identificando-se com a formação discursiva que o afeta; ou
pode desidentificar-se com a forma-sujeito de uma formação
discursiva, identificando-se com outra.
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A inscrição do discurso do esquizofrênico no discurso religioso
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Em frente aos referentes pré-construídos, há a tomada de
posição dos fiéis, que pode ser de aceitação plena ou parcial desses
referentes8 produzidos pela igreja pentecostal. Os pastores têm como
objetivo reinterpretar o referente bíblico a partir dos saberes da igreja
pentecostal, construindo, assim, um novo referente discursivo. Já os
fiéis aderem plena ou parcialmente a esse referente já estabelecido
pela formação discursiva em que se inscreve a igreja pentecostal,
construindo, por sua vez, o seu referente discursivo a partir de sua
posição-sujeito. Podemos ver, nos recortes abaixo, diferentes tomadas
de posição em relação ao referente loucura:
Esses doentes que estão aqui internados é coisa espiritual (SDR
III, seqüência discursiva de familiar adepto a religião pentecostal
apud Figueiredo, 2000, p.175).
Se os médicos existem é porque é um instrumento na mão do
Senhor Jesus, porque senão não existiria o médico. Desde o
momento que você está com enfermidade, você tem que crer que
Deus vai mudar sua vida. Mas você tem que procurar Jesus e os
médicos também. (SDR IV, seqüência discursiva de um familiar
adepto à religião pentecostal apud Figueiredo, 2000, p.165).
A SDR III mostra adesão plena ao referente discursivo
pentecostal loucura; e a SDR IV mostra uma adesão parcial. Na
adesão plena não há questionamentos do saber da formação
discursiva que afeta o paciente e, conseqüentemente, não há
interferências de outros saberes exteriores a essa formação. Isso
resulta numa semelhança plena entre a referência e o referente
apropriado. A adesão parcial ocorre pelo questionamento dos saberes
da igreja e pela apropriação de outros saberes exteriores à formação
discursiva que afeta o sujeito falante. Podemos ver o questionamento
no sintagma seguinte: se os médicos existem. A SDR IV revela a
heterogeneidade do referente discursivo por deslizar do referente
pentecostal para o discurso médico.
A apropriação plena ou parcial dos referentes pré-construídos
da igreja pentecostal produz um efeito de homogeneidade nas
formulações analisadas. Não é percebida a costura dos diferentes
8 Não abordaremos a desidentificação, porque ela acarretaria uma mudança
de religião por parte do sujeito enunciador.
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discursos. O efeito de sentido produzido é o de colocar no sujeito
enunciador a origem do sentido. Não há marcas formais de
apropriação dos referentes pré-construídos do discurso das igrejas
pentecostais. O sujeito enunciador estabelece a referência como se ela
consistisse em uma apreensão direta da realidade e não em uma
percepção dessa através de um discurso religioso. Isso acontece
porque os sujeitos enunciadores analisados estão falando a partir do
discurso a que estão assujeitados.
Finalizada a análise do funcionamento da referência no
discurso de fiéis pentecostais não-esquizofrênicos, veremos como é
estabelecida a referência no discurso do paciente esquizofrênico
(J.V., 43 anos, sexo masculino), a partir dos referentes pré-construídos
do discurso religioso. O corpus discursivo analisado será organizado
em blocos e estes em seqüências discursivas de referência (SDR),
identificadas por algarismos arábicos. Cada um dos blocos trata de
um referente bíblico diferente: o bloco 1 trata do referente vida eterna;
o bloco 2 trata do referente criancinhas; o bloco 3, menino endemoninhado;
e o bloco 4, enterrar os talentos.
BLOCO DISCURSIVO 1 – Referente: Vida Eterna
O bloco discursivo 1 visa a estudar o funcionamento da
referência estabelecida por um paciente esquizofrênico ao referente
bíblico vida eterna. Em primeiro lugar, apresentaremos as seqüências
discursivas em que estão contidas as referências ao referente bíblico.
Após, exporemos o trecho da Bíblia em que ocorre a construção do
referente. A seguir, compararemos o efeito de sentido produzido no
discurso do esquizofrênico com aquele produzido no texto bíblico.
A partir da memória discursiva, compararemos o efeito de sentido da
referência do paciente com o discurso pentecostal.
SDR 1
Paciente: Isso. O pandeiro e o louvor. O louvor que é rápido, eu
não vou enterrar meus talentos das criancinhas. O louvor é que
rapidinho, furioso. Eu quero ser ele. Mas o louvor que é rápido
é outra vida, a vida eterna.
SDR 2
Paciente: Vida eterna mas assim, não na miséria, assim. Tudo,
tudo na fartura, tudo na fartura, de primeira linha.
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A inscrição do discurso do esquizofrênico no discurso religioso
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
O paciente, como dissemos, afirmou ter sido pentecostal no
passado (eu já fui crente 10 anos). Desse modo, ele se inscreve no
discurso religioso, que é sustentado pelos saberes da Bíblia. O nosso
objetivo é estudar a apropriação dos referentes religiosos por parte
do paciente e sua tomada de posição frente a esses referentes.
Apesar de o referente vida eterna ser construído discursivamente
na Bíblia, a referência do paciente não está relacionada a esse
discurso. Podemos constatar isso a partir da seqüência bíblica a
seguir:
24 Jesus olhou para ele e disse: ‘Quão difícil será para os que têm
dinheiro abrirem caminho para entrar no reino de Deus! 25 De
fato, é mais fácil para um camelo passar pelo orifício duma
agulha de costura, do que para um rico entrar no reino de Deus’
26 Os que ouviram isso disseram: “Quem é que é capaz de ser
salvo?’ 27 Ele disse: ‘As coisas impossíveis aos homens são
possíveis a Deus’ 28 Mas Pedro disse: ‘Eis que abandonamos as
nossas próprias coisas e te seguimos” 29 Ele lhes disse: ‘Deveras,
eu vos digo: Não há ninguém que tenha abandonado casa, ou
esposa, ou irmão, ou pai ou filhos, pela causa do reino de Deus,
30 que não receba de algum modo muitas vezes mais neste
período de tempo, e no viradouro sistema de coisas a vida eterna”
(Lucas 18:24).
No texto bíblico, o referente vida eterna não está relacionado ao
bem estar econômico; pelo contrário, se opõe a ele. No discurso do
paciente, podemos perceber que vida eterna remete ao bem-estar
material e não, como coloca a Bíblia, a questões espirituais.
Para verificar, a seguir, como se dá o processo de referência no
discurso do esquizofrênico, é preciso refletir a respeito da
desestruturação que ocorre na SDR 1, com base na noção de estrutura
na Análise do Discurso.
Pêcheux (1988, p.56) afirma que, apesar de o discurso ser
dependente “das redes de memória e dos trajetos sociais nos quais
ele irrompe” – o que o coloca como parte da estrutura discursiva
produzida pelo complexo das formações discursivas – ele pode se
afastar dessas filiações sócio-históricas para produzir um
deslocamento de sentido. A “desestruturação-reestruturação dessas
redes e trajetos” (ibid.) é produto de acontecimentos sócio-históricos
que se discursivizam, produzindo novas redes de sentidos, que
posteriormente tomarão seu lugar nas formações discursivas. A
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Patrícia Laubino Borba
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
noção de desestruturação, vinculada a Pêcheux (1988), está
relacionada ao estabelecimento de novos sentidos em relação àqueles
que já se encontram no interdiscurso. Porém, a fim de estudar a
(re)produção de sentidos em um discurso específico, é necessário
pensar em dois níveis de estrutura, conforme Indursky (2003, p.102):
estruturas vertical e horizontal.
Estrutura vertical é a estruturação dos saberes, que préexistem
ao discurso do sujeito. Encontram-se no interdiscurso e são acessíveis
ao sujeito através do filtro da formação discursiva. O sujeito, ao se
apropriar do já-dito, sintagmatiza os saberes verticais. A estrutura
horizontal corresponde ao intradiscurso, “onde se encontra a
formulação do sujeito que consiste na forma que o enunciado tomou
em seu discurso, após passar pelo processo de apropriação e
sintagmatização” (idem, p.103).
Na SDR 1, há uma desestruturação do fio do discurso. Porém,
essa desestruturação não pode ser vista como o surgimento de
sentidos novos, pois não corresponde a novas filiações sóciohistóricas
do sentido. A desestruturação é decorrente de uma falha
na estruturação horizontal que mantém os saberes desintagmatizados,
apesar de estarem no fio do discurso.
Na SDR 2, a partir do efeito de linearidade, podemos delimitar
o sentido dado a vida eterna. A delimitação desse sentido acontece por
uma evocação de fragmentos relacionados ao discurso econômico:
não na miséria, na fartura, na primeira linha.
A partir dessa segunda SDR, acreditamos que a construção
discursiva do referente produzido pelo paciente dá-se por uma
apropriação do referente discursivo pentecostal. Apesar de não
termos meios de delimitar com mais precisão o sentido que pode ser
atribuído ao referente vida eterna no discurso pentecostal, podemos
supor, a partir dos pré-construídos desse discurso, que,
necessariamente, está relacionado ao bem-estar terreno e não apenas
ao espiritual. É da matriz de sentidos dessa religião a promessa de
que seus fiéis desfrutarão de bem estar espiritual e econômico,9 como
vimos acima, a respeito do referente Reino dos Céus.
9 A prática de doutrinação dos fiéis a darem o dízimo, um décimo do salário,
às igrejas pentecostais, mostra a heterogeneidade forte que esse discurso
tem com o econômico e também com o discurso católico (coleta de donativos
da igreja durante a missa).
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A inscrição do discurso do esquizofrênico no discurso religioso
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
Referente Referente Referente do
pré-construído pré-construído paciente:
bíblico: pentecostal: vida eterna
vida eterna vida eterna
• É o viradouro • Está relacionada • Relacionado
sistema de coisas ao bem-estar à religião
(Lucas 18: 30) físico, mental, • Opõe-se à miséria
• Opõe-se espiritual e • Aproxima-se
ao bem-estar econômico do fiel. da fartura
econômico.
Quadro 3: Referente vida eterna
Apesar de se dizer não mais praticante da religião pentecostal
(eu já fui crente), o paciente está afetado por essa formação discursiva,
na medida em que faz referência a referentes produzidos nesse
discurso. Mesmo havendo uma desestruturação horizontal na SDR
1, permanece, se não de forma consistente, pelo menos vestígios da
existência da estrutura vertical dos saberes do interdiscurso no
discurso do esquizofrênico. Podemos observar isso pela retomada,
no fio do discurso na SDR 1, de outros elementos que remetem ao
discurso religioso: louvor, enterrar os talentos e criancinhas. Dessa
forma, podemos constatar que, apesar de desestruturada, a
formulação do paciente está vinculada ao discurso pentecostal e é
nessa formação discursiva que o paciente inscreve seu discurso.
BLOCO DISCURSIVO 2 – Referente: Criancinhas
O bloco 2 visa a estudar o funcionamento da referência
estabelecida ao referente bíblico criancinhas. Para isso, apresentaremos
as seqüências discursivas em que se estabelece a referência. Após, as
compararemos com o trecho bíblico em que é construído o referente
discursivo criancinhas. Analisaremos se e como o discurso bíblico
afeta o discurso do paciente. Por último, compararemos o referente
construído pelo discurso do paciente e o referente do discurso
bíblico.
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Patrícia Laubino Borba
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
SDR 1
Paciente: Eu não vou enterrar os dois talentos das criancinhas.
SDR 2
Entrevistador 1: Quem são essas duas criancinhas que tu estás
falando?
Paciente: O quê?
Entrevistador 1: Tu falastes no talento de duas crianças, né?
Paciente: E os talentos das criancinhas de todo mundo, do
mundo inteiro. E tem aqueles que querem ser o anjo, né? Das
criancinhas, (?)10
SDR 3
Paciente: Mas com tratamento. As criancinhas, podem, posso
ter, Deus me livre, um monte de vida.
Compararemos o referente criancinhas produzido no fio do
discurso do paciente ao referente bíblico criancinhas:
13 Trouxeram-lhe então criancinhas, para que lhes impusesse
as mãos e proferisse uma oração; mas os discípulos censuraramnos.
14 Jesus, porém, disse: Deixai as criancinhas e parai de
impedi-las de vir a mim, pois o reino dos céus pertence a tais’.
(Mateus 19:14).
Nas SDR 1 e 3 não é possível, devido à desestruturação
horizontal, perceber o efeito de sentido que está sendo vinculado ao
termo criancinhas. Apenas na SDR 2, o paciente, ao ser questionado
a respeito desse referente, nos mostra outros fragmentos do discurso
que está sustentando essa referência: são todas as criancinhas do mundo
todo, querem ser anjos. Porém, trouxemos as SDR 1 e 3 para mostrar que,
mesmo não sendo possível perceber a referência estabelecida pelo
termo criancinhas, esse termo está sendo relacionado a outros referentes
do discurso religioso: enterrar os dois talentos (que será estudado no
bloco 4) e Deus me livre.
Queremos, em relação ao discurso do esquizofrênico, ressaltar
as características de fragmentação, de desestruturação e dos espaços
lacunares tanto na formulação – a estrutura horizontal, conforme
vimos no bloco anterior – quanto na apropriação dos saberes das
10 Esse sinal (?) significa que não é compreensível o que foi dito pelo paciente.
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A inscrição do discurso do esquizofrênico no discurso religioso
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
formações discursivas. Processo fundamental para a produção
discursiva, a apropriação consiste na função de apoderar-se de préconstruídos
do interdiscurso e conduzi-los para o intradiscurso. A
realização normal da apropriação acarreta três efeitos: o de origem,
o de homogeneidade e o de linearidade, conceitos que serão trabalhados
a seguir.
A apropriação de pré-construídos que pertencem a formações
discursivas que afetam ou não o paciente tem a finalidade de
transformar esses saberes construídos externamente à enunciação
do paciente em sentidos produzidos no momento e no lugar da
enunciação, ou seja, produzir um efeito de origem desses sentidos no
sujeito da enunciação. Caso isso não ocorra, transparece o caráter de
apropriação de saberes exteriores.
Ao apropriar-se de pré-construídos exteriores à formação
discursiva que afeta o sujeito da enunciação, o sujeito falante insere
esses elementos em uma formação discursiva e em uma condição de
produção diferente daquelas de origem. Isso resulta em uma mudança
de efeito de sentido para esses pré-construídos. Essa mudança de
sentido apaga os vestígios de exterioridade, produzindo um efeito de
homogeneidade com o discurso hospedeiro.11 Caso isso não ocorra,
é possível perceber o discurso de origem dos pré-construídos
apropriados, através da contradição que se instaura no próprio
discurso.
Efeito de linearidade é o resultado da sintagmatização de
saberes pré-construídos no processo de apropriação. Os saberes que
estão na estrutura vertical são organizados sintaticamente em uma
formulação, perdendo, assim, seu caráter de dispersão. A nãosintagmatização
dos saberes pré-construídos produz um efeito de
fragmentação.
Não há efeito de origem nas SDR 1, 2 e 3, na medida em que
não há um efeito de sentido possível se não relacionamos as
formulações com os pré-construídos bíblicos. Ou seja, é necessário
que o paciente esteja se remetendo a algum discurso para que seja
estabelecido efeito de sentido. Na SDR 1, apesar de haver uma
linearidade sintática, não há uma linearidade discursiva, na medida
em que o paciente coloca, no mesmo sintagma, pré-construídos
distintos do discurso bíblico: enterrar os talentos e criancinhas. Não há
11 Entendemos discurso hospedeiro como um gesto analítico, a fim de se
delimitar um determinado discurso em relação aos outros.
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Patrícia Laubino Borba
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
nenhuma aproximação do sentido desses pré-construídos, são apenas
colocados uns ao lado dos outros. Na SDR 3, não há um efeito de
linearidade sintática nem discursiva. Na SDR 2, apesar de a referência
do paciente produzir um efeito de fragmentação, devido à
desestruturação do discurso do paciente, o discurso bíblico ressoa
nesse discurso.
Para Serrani (1993, p.120), a ressonância é a relação de paráfrase
que há entre unidades lingüísticas e saberes do interdiscurso. A
autora propõe dois tipos de ressonância: um em relação à repetição
parafrástica de unidades lexicais e frases nominais e outro em
relação ao retorno de saberes do interdiscurso em que há uma
variedade em relação aos modos de dizer desses. Para o nosso
trabalho, utilizaremos o primeiro tipo.
No discurso do paciente, o pré-construído - o reino dos céus
pertence às criancinhas – ressoa na SDR 2, conforme podemos visualizar
no Quadro 4.
Referente bíblico: Referência do paciente:
criancinhas criancinhas
• Reino dos céus pertence • São todas as criancinhas d
às criancinhas. o mundo todo.
• Aquelas que querem ser anjos.
Quadro 4: Referente criancinhas
Concluímos, pela análise realizada no bloco 2, que o paciente,
além de ser afetado pelo discurso pentecostal, conforme constatamos
no bloco 1, é afetado também pelo discurso bíblico. Podemos constatar,
nas três SDR, que o paciente apropria-se do discurso religioso.
Porém, essa apropriação não produz plenamente os efeitos de
homogeneidade, de origem e de linearidade.
BLOCO DISCURSIVO 3 – Referente: Menino endemoninhado
Estudaremos, no bloco 3, o estabelecimento da referência ao
referente bíblico menino endemoninhado. Para isso, exporemos as
seqüências discursivas em que o paciente estabelece o trabalho de
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A inscrição do discurso do esquizofrênico no discurso religioso
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
referência a esse referente. Após, as compararemos ao trecho bíblico
em que é estabelecido o referente menino endemoninhado, citado acima.
Em seguida, compararemos o referente produzido no discurso do
paciente ao pré-construído pentecostal loucura como possessão
demoníaca.
SDR 1
Paciente: Eu não quero enterrar os dois talentos. Eu disse pra
mãe: o menino quer que eu me enterre nos dois talentos. O
menino não tem poder. Vou deixar esse cigarro, vou deixar de
tudo.
SDR 2
Paciente: [...] Meu amigo que tinha, o diabo se atravessou, o
diabo botou outro gurizinho. O diabo é sujo, o diabo é sujo,
botou olho grosso.
Em Marcos 9:17, citado acima, há o relato da possessão de um
menino pelo demônio. Como vimos na primeira parte desse texto,
relacionar a loucura à possessão demoníaca é um pré-construído da
formação discursiva pentecostal.
O paciente apreende o referente bíblico a partir dos saberes do
discurso pentecostal, ou seja, o discurso bíblico é reformado pelo viés
do discurso transverso da formação discursiva pentecostal. Dessa
forma, podemos constatar que o discurso do paciente está refletindo
a reformulação pentecostal do discurso bíblico.
Tanto as SDR 1 e 2 (sujeito enunciador esquizofrênico) quanto
a SDR II (não-esquizofrênico) fazem referência ao referente
pentecostal demônio causador da loucura. Na SDR II, a cura do menino
endemoninhado é retomada através de discurso transverso pelo sujeitoenunciador
não-esquizofrênico a partir da interpretação pentecostal.
No discurso do paciente esquizofrênico, há também uma apropriação
do discurso bíblico pelo pentecostal, mas, diferentemente desses
discursos, o referente menino sai de uma posição passiva na possessão
e se transforma em agente do mal, juntamente com o demônio.
Além dessa diferença de efeito de sentido entre o referente
apropriado pelo paciente, o referente bíblico e o referente pentecostal,
podemos constatar outra, em relação ao aspecto formal da referência
estabelecida pelo esquizofrênico. No discurso do esquizofrênico, há
uma equivalência lexical entre menino e gurizinho. O paciente
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Patrícia Laubino Borba
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
apresenta o referente menino endemoninhado, a partir de uma reformulação
– tanto no sentido quanto no aspecto formal – do referente
pré-construído da Bíblia.
O paciente supõe que seu problema se deve à possessão,
mostrando, assim, que essa referência está relacionada ao referente
discursivo loucura da igreja pentecostal, como podemos ver na SDR
a seguir: Então eu sei como é que é. Quando vem espírito na gente, né? Te
adoenta. Ele utiliza o referente bíblico ressignificado pela formação
discursiva pentecostal para falar da sua doença. Porém, o paciente
modifica o seu referente em relação ao pentecostal e ao bíblico. Ou
seja, apesar das diferenças, ambos discursos ressoam no
esquizofrênico.
No Quadro 5, compararemos o referente bíblico menino
endemoninhado, o referente pentecostal loucura, e o referente do paciente
menino ou gurizinho:
Referente bíblico: Referente Referente do
menino pentecostal: paciente: menino
endemoninhado loucura ou gurizinho
• Não está • Loucura como • O paciente
relacionado possessão retorna ao referente
à loucura demoníaca pré-construído
bíblico, menino
endemoninhado,
a partir do referente
pré-construído loucura
da igreja pentecostal
Quadro 5: Comparação de referentes
O discurso do paciente apropria-se do referente bíblico menino
endemoninhado, ocultando o adjetivo, a partir da ressignificação
pentecostal, para falar de sua doença.
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A inscrição do discurso do esquizofrênico no discurso religioso
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
Em relação à tomada de posição do paciente, não observamos
nem adesão plena nem adesão parcial no processo de referência de
um referente pentecostal, tal como ocorre no discurso do nãoesquizofrênico.
O paciente não adere plenamente ao pré-construído
pentecostal, na medida em que o modifica tanto no aspecto formal
(menino / gurizinho) quanto no nível do sentido (o menino não é o
paciente da possessão demoníaca, mas é o agente). Porém, não há
tampouco uma adesão parcial, porque os saberes da formação
discursiva pentecostal não são questionados e não há uma
apropriação de outros saberes que venham a complementar esse,
como podemos observar na SDR IV (sujeito enunciador nãoesquizofrênico).
Mesmo modificados, ambos os discursos ressoam
no dizer do paciente. Para esse dizer produzir efeito de sentido, é
necessário um trabalho de memória desses discursos no texto.
BLOCO DISCURSIVO 4 – Referente: Enterrar os talentos
Neste bloco, temos como objetivo estudar a referência
estabelecida pelo paciente ao referente bíblico enterrar os talentos. Para
isso, recuperaremos o trecho bíblico onde é construído esse referente,
a fim de o compararmos às SDR do paciente. Após, verificaremos
como ocorre a apropriação dessa referência no discurso do paciente.
SDR 1
Paciente: Eu não vou enterrar os dois talentos das criancinhas.
Entrevistador 2: Como?
Paciente: Eu não vou enterrar os dois talentos, eu tenho duas
talentos.
Entrevistador 2: Quais são os dois?
Paciente Ahm?
Entrevistador 2: Quais são os dois talentos?
Paciente: O pandeiro e o louvor.
Entrevistador 2: O louvor?
Paciente: Isso. O pandeiro e o louvor. O louvor que é rápido,
eu não vou enterrar meus talentos das criancinhas. O louvor é
que rapidinho, furioso. Eu quero ser ele. Mas o louvor que é
rápido é outra vida, a vida eterna.
SDR 2
Paciente: Eu não quero enterrar os dois talentos. Eu disse pra mãe:
o menino quer que eu me enterre nos dois talentos. O menino não
tem poder. Vou deixar esse cigarro, vou deixar de tudo.
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Patrícia Laubino Borba
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
SDR 3
Entrevistador 1: Só pra gente entender um pouco sobre o que
tu tá falando ...
Paciente: Eu tô pecando com o senhor, né? Eu tenho dois talentos,
tô fumando cigarro, fumando maconha, tomando vinho ...
Entrevistador 1: Tá, isso aí é o pecado que tu tá falando.
Paciente: É o pecado.
Entrevistador 1: E o que que é enterrar as crianças pra mim...
Paciente: Não enterrar os dois talentos.
SDR 4
Paciente: Eu não vou enterrar o meu talento, juro por Deus. Em
nome de Jesus Cristo, não vou enterrar. Isso que eu fico às
vezes meio indignado.
SDR 5
Entrevistador: Ah, enterrar os talentos.
Paciente: É a mesma coisa que se tu pegar cinco quilos de ouro,
mandar as tombadeiras lá e não acrescentar pro senhor na hora
dos talentos. Tem que acrescentar pra eles.
Para melhor trabalharmos com o discurso em análise,
recuperaremos, inicialmente, o discurso bíblico ao qual o paciente se
refere e que é apropriado de forma transversa em seu discurso. No
texto bíblico Parábolas dos Talentos – Mateus 25:14 –, há a construção
do referente talentos:
14 Pois é assim como quando um homem, preste a viajar para fora,
convocou escravos seus e confiou-lhes os seus bens. 15 E a um deles deu
cinco talentos, a outro dois, e a ainda outro um, a cada um segundo
a sua própria capacidade, e viajou para fora. 16 Aquele que recebera cinco
talentos foi imediatamente e negociou com eles, e ganhou outros cinco.
17 Do mesmo modo, aquele que recebera dois ganhou mais dois.
18 Mas aquele que recebera apenas um foi e cavou no chão, e
escondeu o dinheiro de prata de seu amo. 19 Depois de muito tempo
voltou o amo daqueles escravos e ajustou contas com eles.12
12 Grifos nossos.
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A inscrição do discurso do esquizofrênico no discurso religioso
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
Há um efeito de familiaridade13 entre o texto bíblico e a referência
produzida pelo paciente, o que indica que estamos diante de
funcionamento do discurso transverso no discurso do paciente.
Para o paciente, enterrar os talentos produz um efeito de sentido
de inaceitabilidade (conforme SDR 4), tal como para o texto bíblico
(conforme 25:26 até 25:30). No referente enterro do discurso do
paciente está ressoando o referente bíblico enterro construído nesse
trecho bíblico – (25:18) cavar no chão e esconder. Apesar de o texto
bíblico ser normalmente lido como uma alegoria, ou seja, em seu
sentido metafórico, o paciente apropria-se dos referentes bíblicos
sem nenhuma interferência de outros discursos – como ocorre no
discurso religioso – que pudessem criar um distanciamento
interpretativo desses referentes. Desse modo, para o paciente, enterrar
os talentos é cavar no chão e esconder algo. Analisaremos, a partir de
agora, qual é o referente da palavra talentos que está vinculado à
referência do paciente.
Na SDR 1, a referência talentos, feita pelo paciente, foi associada
a dois elementos – [tocar] pandeiro e [fazer o] louvor [a Deus] – que,
em um primeiro momento, poderiam ser compreendidas como
metafóricos. Porém, vamos aceitar o pressuposto lacaniano de que
o psicótico não realiza metáfora organizada pelo Nome do Pai, ou
seja, apesar de ter mecanismos lingüísticos que produzam metáforas,
essas não estarão inscritas no simbólico, e, desse modo, serão
metáforas delirantes.
Na SDR 5, o sintagma enterrar os talentos, produz o efeito de
sentido de cavar e esconder para enterrar, e faz ressonância ao referente
bíblico talentos, que é uma moeda de prata, apesar de o paciente
construir discursivamente, para o referente talentos, o efeito de sentido
ouro. Mesmo assim, se mantém a idéia original de cavar e esconder
um metal precioso. Outro efeito de familiaridade com o texto bíblico
é a referência hora dos talentos, que tem como referente o momento em
que o senhor chama os escravos para pedir que lhe devolvam o
dinheiro. Esse efeito de familiaridade é o resultado do atravessamento
do discurso transverso.
13 Efeito de familiaridade é “o que permite entrar no discurso do esquizofrênico,
para estudar seu funcionamento, porque é a partir dele que podemos
estabelecer alguma relação de sentido para essas formulações, apesar da
inconsistência de seu dizer. Essa noção está ligada à de memória discursiva,
na medida em que não é sobre o dito que pode haver algum efeito de sentido,
mas sobre os vestígios de discursos-outros que estão sendo evocados”
(BORBA, 2006, p.51).
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Patrícia Laubino Borba
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
Referente de Talentos 1: Referente de Talentos 2:
pandeiro e louvor ouro (bíblico)
• Eu não vou enterrar • Pegar cinco quilos de ouro,
os dois talentos (SDR 1) mandar as tombadeiras lá
e enterrar (SDR 5)
Quadro 6: Referente talentos
Efeito metafórico, para Pêcheux (1969, p.96), é um fenômeno
semântico que consiste na substituição contextual de dois elementos
que compartilham sentidos um com outro. Ou seja, dentro de uma
realização linguageira, dois ou mais elementos podem se substituir
mutuamente, produzindo, assim, um deslizamento de sentido.
No bloco 3, constatamos que há um deslizamento, estabelecido
pela referência a talentos, não em relação ao sentido, mas aos referentes
discursivos 1, pandeiro e louvor, e ao referente 2, ouro. Como vimos, o
referente enterrar está vinculado ao discurso bíblico [cavar no chão e
esconder]. Desse modo, o sintagma enterrar os talentos estabelece duas
referências: 1. cavar no chão e esconder as habilidades de tocar pandeiro
e louvar a Deus e 2. cavar no chão e esconder o ouro. Esses dois efeitos de
sentido estabelecem uma relação de identidade para o paciente e,
desse modo, compõem uma metáfora que se baseia em uma estrutura
delirante, conforme Calligaris (1989, p.74).
Referindo-se aos deslizamentos de sentido que são
estabelecidos no discurso dos psicóticos, Orlandi (2001, p.89) afirma
que “cabe ao terapeuta interpretar [esses deslizamentos], com os
recursos teóricos disponíveis em seu domínio de conhecimento”.
Acreditamos que o papel que nos cabe, nesse trabalho, é perceber
como funciona a referência no discurso do esquizofrênico, e não
entrar na especificidade de como se estrutura a metáfora delirante
desse indivíduo.
No Quadro 6, mostraremos em que passagens o discurso do
paciente remete a um ou outro referente.
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A inscrição do discurso do esquizofrênico no discurso religioso
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
CONCLUSÃO
Constatamos, a partir da análise dos quatro blocos discursivos,
que o mecanismo de referência no discurso do esquizofrênico é
submetido ao interdiscurso, ou seja, a referência se ancora em
fragmentos do discurso em que o paciente está inscrito e, dessa forma,
faz ressoar saberes das formações discursivas que o afetam. O que
distingue a referência no discurso do esquizofrênico da realizada no
discurso normal (do neurótico) é que aquela, apesar de estar
relacionada ao interdiscurso, enfrenta desestruturação, tanto
horizontal quanto vertical.
No processo discursivo dito normal, são oferecidos aos
interlocutores diversos referentes inscritos em formações discursivas
diferentes que estão sendo manipulados na cena enunciativa; a
escolha desses referentes está submetida ao assujeitamento do sujeito
da enunciação. Os referentes que não pertencem às formações
discursivas que afetam os sujeitos são apropriados a partir dos
sentidos possíveis dentro dessas formações, ou seja, nas palavras de
Maingueneau (2005, p.104), há uma tradução dos elementos
pertencentes a uma formação discursiva para que sejam apropriados
por outra.
A apreensão do referente, no discurso dos fiéis nãoesquizofrênicos,
se dá de duas formas: (1) a partir de uma adesão
plena do referente e (2) a partir de uma adesão parcial. Na apropriação
plena do referente (SDR III), o fiel não questiona os saberes da
formação discursiva, nem utiliza outros discursos na apreensão do
referente. Na apropriação parcial (SDR IV), o fiel faz referência à
loucura, utilizando diferentes referentes: o da formação discursiva
da medicina e o da formação discursiva da igreja pentecostal. Nesse
tipo de apropriação, a referência, apesar de ser centrada em uma
formação discursiva, sofre influência, em algum grau, de outra.
Retomando as análises a respeito da apropriação do referente
do paciente esquizofrênico, vemos que, no bloco discursivo 1, há
apropriação plena do referente do discurso pentecostal vida eterna,
sem que haja questionamento desses saberes e sem que haja
interferência de outros discursos. No bloco 2, encontra-se também a
apropriação plena, porém, dessa vez, de um referente do discurso
bíblico criancinhas. No bloco 3, existe uma tentativa de apropriação
parcial do referente bíblico menino endemoninhado, a partir dos saberes
da igreja pentecostal -- o demônio como causa da loucura. Apesar de
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Patrícia Laubino Borba
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
haver interferência do discurso pentecostal no referente bíblico
menino endemoninhado, não há um questionamento do saber bíblico
que resulte em uma mudança formal (menino / gurizinho) ou em
uma de sentido (menino paciente da possessão por menino agente
da possessão). No bloco 4, há uma desestruturação vertical na
apropriação do referente bíblico talentos, na medida em que, nessa
apropriação desorganizada, não há nem a apreensão do referente
bíblico nem a produção de um referente de forma consistente. Essa
referência resulta apenas da retomada de alguns fragmentos do
discurso bíblico. Isso permite que haja um efeito metafórico não
previsível, como observamos nesse bloco.
Em nossas análises, constatamos que o paciente é afetado por
duas formações discursivas: a pentecostal e a bíblica. Podemos
constatar também que há uma estruturação vertical, e essa, apesar de
falha em alguns momentos, permite que esse sujeito seja afetado
pelas formações discursivas. Além disso, há, em muitos momentos,
uma desestruturação horizontal. Podemos observar que há perda do
efeito de linearidade e de origem no bloco 1 (SDR 1) e no bloco 2. Um
dos motivos pelos quais não há efeito de linearidade na fala do
paciente é a incapacidade de sintagmatização dos referentes. O
paciente mantém em seu discurso o efeito de fragmentação
proveniente do interdiscurso e isso não permite que haja nem o efeito
de origem, nem o efeito de linearidade.
A manipulação dos referentes pelo paciente esquizofrênico
causa um efeito de sentido de imposição, ou seja, esses referentes
pertencem a discursos específicos e não podem ser deles
desvinculados. Em meio a diversos referentes, o paciente não os
traduz a partir do discurso a que é assujeitado; os referentes préconstruídos
do discurso da pentecostal e do discurso da Bíblia estão
mobilizados sem que haja a interferência de outros discursos.
Segundo Roustang (1987, p.204), “o psicótico não pensa,
menos ainda se pensa; ele é pensado, ele é puro destino”. A partir da
análise dos quatro blocos desse recorte, podemos estender essa
afirmação para o discurso: o psicótico não fala, ele é falado. A
apreensão feita pelo paciente dos referentes pré-construídos tanto do
discurso pentecostal quanto do bíblico produz um efeito de sentido
de imposição, mas não aquela da interpelação, em que o sujeito é livre
para livremente submeter-se à ideologia (Althusser, 1996). É uma
imposição desordenada, que tem sua origem na falha da inserção do
psicótico no discurso.
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A inscrição do discurso do esquizofrênico no discurso religioso
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
Devido à fragmentação no fio do discurso do esquizofrênico,
para produzir algum efeito de sentido, é necessário relacionar esse
discurso com outro (o pentecostal, o bíblico, etc.), porque o discurso
do paciente não tem sentido em si. Isso enfatiza nossa afirmação de
que o esquizofrênico não fala, mas é falado.
Se Roustang (1987) parte da perspectiva psicanalítica para
mostrar essa dependência do psicótico em relação ao pensamento do
outro, nós partimos da perspectiva do discurso a fim de mostrar a
dependência do esquizofrênico em relação ao discurso do outro para
produzir efeito de sentido. Isto é, a Análise do Discurso possibilita
perceber este tipo de funcionamento: o discurso do esquizofrênico
não produz efeitos de origem, de linearidade e de homogeneidade
por si só; é necessário que o discurso de origem seja identificado para
que seu discurso faça sentido.
REFERÊNCIAS
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Patrícia Laubino Borba
Linguagem & Ensino, Pelotas, v.11, n.2, p.393-417, jul./dez. 2008
PÊCHEUX, Michel. Análise automática do discurso. In: GADET, F.; HAK, T.
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discurso. São Paulo: Martins Fontes, 1980. p.75-82.
Recebido em novembro de 2007
e aceito em abril de 2008.
Title: The inscription of schizophrenic discourse into the discourse of religion
Abstract: This study examines the establishment of reference in the discourse of the
schizophrenic, from the perspective of Michel Pêcheux’s Discourse Analysis. The corpus
is taken from an interview with a patient who adopts the discourse of the Pentecostal
Church and establishes references to this discourse’s pre-constructed referents. In order
to analyze how his process of reference functions, we first investigate how this church’s
non-schizophrenic members establish references to this discourse, so that we can compare
the two. Our conclusions are that, though there is the establishment of reference in the
schizophrenic discourse and this is submitted to inter-discourse, an effect of imposition
is produced, instead of one of adhesion, as occurs in the discourse of non-schizophrenics.
Keywords: reference; Discourse Analysis; schizophrenic discourse.

terça-feira, 21 de julho de 2009

LÁBIA INFERNAL!

PORQUE OS PASTORES EVANGÉLICOS DÃO TANTO ÊNFASE EM GRITAR NA HORA DAS SUAS MALDITAS PREGAÇÕES EVANGÉLICAS.PORQUE? SERÁ QUE SOMOS TODOS SURDOS! PORQUE INSISTIR TANTO QUE DEUS EXISTE E O QUE O DIABO É O GRANDE INIMIGO DA NAÇÃO EVANGÉLICA, QUE O DIABO É O CAUSADOR DE TODOS OS MALES DA HUMANIDADE. PORQUE TANTO MEDO SE O DIABO NÃO EXISTE. TENTE OUVIR SILAS MALAFAIA PREGANDO E VOCÊ VAI SE SENTIR DOENTE. DOENTE DA ALMA E DE TUDO MAIS QUE SEJA RACIONAL. QUER FICAR DOENTE! TORNE-SE UM EVANGÉLICO E PASSE O RESTO DA SUA VIDA TENTANDO SUPRIMIR OS SEUS PECADOS. VOCÊ VAI FECHAR AS PORTAS DO MUNDO NA SUA VIDA E TORNA-LA VAZIA. O PIOR CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER NADA OU APENAS VÊ AQUILO QUE LHE SATISFAZ. É ASSIM A VIDA DE UM CRENTE A RELIGIÃO LIMITA E ENCURTA OS SEUS PASSOS ELE NÃO ENXERGA MAIS NADA A SUA FRENTE. A BÍBLIA E AS SUAS LENDAS ULTRAPASSADAS ESTÃO TÃO ARRAIGADOS NAS VIDAS DESSAS PESSOAS QUE ELAS NÃO CONSEGUEM FAZER MAIS NADA DE PROVEITOSO NAS SUAS VIDAS SIMPLESMENTE PORQUE A RELIGIÃO DELIMITOU O SEU ESPAÇO, OS SEUS DESEJOS E OS OS SEUS ANSEIOS. A TENTAÇÃO E O DIABO SÃO OS GRANDES DESAFIOS NA VIDA DESSA POBRE GENTE ESCRAVA DE UMA RELIGIÃO ESTÚPIDA.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

PASMEM! SERPENTES FALAM.

Infelizmente os nossos sistemas de comunicação em massa, tais como TV e Rádio, foram literalmente invadidos por uma praga perniciosa conhecida como programas evangélicos. Esses famigerados programas evangélicos em sua maioria são apresentados por pressupostos "pastores" os verdadeiros baluartes da moral e da fé cristã. Esses vendilhões da fé sem escrúpulos usam a bíblia como se fossem um samurai. Esses mercenários e sua lábia infernal não tem limites para atingirem os seus mais mórbidos objectivos. Alguém de sã consciência pode acreditar mesmo que uma serpente que tem a língua bifurcada e ainda por cima surda, ouve e fala? esse e entre outros absurdos estão no livro de Génesis. O livro de Génesis é antes de tudo anti-evolução, racista, preconceituosa, mentiroso e falso. Não vou mencionar o nome do pastor, para não lhe dar créditos, mais ouvi a mais das descabidas afirmações que foi SATANÁS, que usou a serpente a induzir Eva a comer a maçã. É digno de dar uma boa gargalhada tamanha ignorância cristã. Ora! naquela época remota não existiam as serpentes, existiam sim os largatos varanoides no começo da criação do universo e nem, tão pouco existia a fruta maçã cuja árvore é a macieira que é uma fruta relativamente nova ela não tem tantos milhões de anos assim. Essa é uma das grandes mentiras bíblicas. Temos outras: o diluvio! mais sobre esse assunto eu me reportarei na proxíma publicação.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A FANTASIA DO DILUVIO


Religião é coisa de místicos. Você provavelmente ainda não se deu conta de quantas igrejas de várias denominações e crenças, leiam-se seitas existem no Brasil! Hoje elas beiram a casa dos 5.000 os que constituem um verdadeiro absurdo religioso nunca visto e nenhum pais do mundo. Este fenômeno só é explicável porque estas seitas são ricas e usam o marketing associadas a uma mídia que bombardeia os seus ouvidos o dia inteiro com propagandas e músicas que exaltam a suposta fé cristã. Essas cobras sinuosas plantaram os seus tentáculos e garras na mais parte mais pobre da nossa população e nela fincaram raízes profundas com as promessas absurdas de riquezas, libertação, unção e salvação eterna. Ninguém questiona nada pois os pastores usam técnicas de verbalização, associação, hipnose e repetição. Para que se tenha uma idéia até onde esse descalabro alcança algumas seitas contratam psicólogos para darem treinamento de indução através da fala e outras técnicas que mexem com o lado emocional dessas pessoas transformando-as em verdadeiros cegos da fé. Usaremos este Blog para esclarecer a verdade sobre muitas coisas, tentaremos aos poucos desvendar o que realmente esta por trás dessas famigeradas seitas. Uma coisa nós sabemos o dinheiro esta por trás dessas seitas que movimentam milhões em nome da fé e que não contribuem com um centavo si quer aos cofres da nação, verdadeiros impérios financeiros se constroem em nome dessa fé. A fé é como uma faca amolada. Corta! Essas seitas são bem organizadas e os nomes são escolhidos a dedo, observem alguns nomes que nos parece bem sugestivo: UNIVERSAL DO REINO DE DEUS, VERBO DA VIDA, IGREJA DA UNÇÃO DIVINA, IGREJA DO QUADRANGULAR e por ai vai ao bel prazer de quem as cria. Como já é publico e notório a BIBLIA tem absurdos que assustam aos que a lêem com incredulidade. Aos que a lêem tão somente como uma tábua de salvação para todas as suas mazelas a estes com certeza não lhes será revelado a verdade absurda e fantasiosa de algumas histórias se não leiamos com cuidado a cerca do dilúvio que só Noe viu:

Que tipo de Deus se arrependeria de ter criado o homem?
E onde estaria a ONISCIÊNCIA do Deus que em Gênesis 6, 7, teria dito:
“Exterminarei da superfície da Terra o homem que criei, e com ele os animais, os répteis e as aves dos céus, porque ME ARREPENDO DE OS HAVER CRIADO”.

Como desde que os humanos aprenderam a divulgar a sua história, nunca houve alguma catástrofe mundial, mas apenas alguns acontecimentos naturais e localizados.
Como por exemplo, a inundação que aconteceu à cerca de 7 mil anos (quando o Mediterrâneo era considerado o “mundo inteiro”).
E que nada teve a ver com algum suposto castigo divino.

Pois é evidente que o relato de um “Dilúvio mundial” e a história da Nau sem rumo, sem leme, sem vela, sem remo, sem motor, sem ancora e sem destino; ter sido a única que conseguiu sobreviver...
Não passa de um “Conto de fada” religioso ou uma presunção não comprovada, que a Bíblia usa para apavorar os crentes e reforçar os poderes do suposto Deus Jeová.

È comum que de períodos em períodos, uma parte do gelo armazenado pelas geleiras se derretam, devido ao aumento da atividade solar ou a variação no ângulo do eixo de rotação da Terra, em relação ao Equador. Todavia, como as populações atingidas pelo degelo glacial, não sabiam que um grande recuo do mar era prenúncio de que breve fatalmente haveria uma inundação gigantesca.
Os místicos terminaram acreditando no “Dilúvio” imortalizado pela Bíblia.

E não enxergar que o relato bíblico de que, o Dilúvio teria começado no dia 17, do segundo mês, do ano 600 da vida de Noé (Gênesis 7; 11), e terminado no dia 01, do primeiro mês, do ano 601 (Gênesis 7; 13), não passou de uma inundação de proporções cataclísmica.
E que só ocorreu nas regiões invadidas pelo degelo das Calotas Polares, que haviam se formado durante o último período glacial.

Pois há cerca de 6.000 anos, o degelo das “Calotas Polares”, tendo rompido a barreira de sedimentos do Estreito de Bósforo, (que liga o mar Negro, ao norte, e o mar de Mamará ao sul), e é o limite natural entre a Europa e a Ásia.
Ocasionou a submersão, de mais de 100 mil quilômetros quadrados das terras habitadas pelos povos antigos.
E ajudou a formar o Mar Negro.
Assim como, o derretimento da Calota Polar Norte Americana teria inundado o Golfo do México e reocupado alguns terrenos habitados pelos povos que viviam à beira-mar.

O derretimento do gelo glacial (que existe no Norte dos atuais Estados Unidos da América), tendo elevado o nível do Estreito de Bering em vários metros, impediu que as levas de migrantes continuassem atravessando o estreito que liga a Ásia com o Continente Americano.
Pois parte da água do mar que virara gelo durante a era glacial, teria se derretido e voltando a imunda o Estreito de Bering, impedindo que se continuasse fazendo a travessia pelos locais onde o nível do mar teria sido tão baixo que teria dado para andar.

Explicação, o que houve foi apenas uma inundação local que virou lenda e foi passando de geração em geração. Pois como o volume total da água existente na Terra é de apenas 1,4 bilhões de km cúbicos.
Seria matematicamente impossível que algum Dilúvio cobriu-se toda a Terra.
Até porque, para que todas as montanhas ficassem submersas, seria necessário cobrir com água uma área de 4,1 bilhões de quilômetros. E a coluna de água precisaria ter mais de 8.000 metros de altura.

Provas de que a chuva não aumenta a água terrestre



Apesar de o cristianismo relatar que, O Dilúvio aumentou a água existente no planeta Terra, a ponto de encobrir todas as montanhas...
Essa mitologia nunca aconteceu, pois além das nuvens terrestres só acumularem cerca de 0,002% da água existente no planeta Terra.
A chuva, ou seja, do Ciclo de evaporação/precipitação da água terrestre, (Ciclo hidrológico), não aumenta a água existente no planeta Terra.
E apenas precipitar de volta (em forma de chuva), a água que conseguiu se evaporar e ir para as nuvens.

Ainda que chovesse 40.000 dias, o total da água existente no planeta Terra não aumentaria (e nem diminuiria); pois no interminável “Ciclo das águas”, a chuva é só o mais simples e mais comum “ciclo físico da natureza”.

A chuva é apenas a água que tendo transpirado ou evaporado, foi parar nas nuvens.
Onde sendo muito leve flutua, e se junta, até formar gotas maiores com peso suficiente para despencar.
Ou seja, se precipitar em forma de chuva, escoar e tornar a evaporar .
Formando novas nuvens de micro-gotículas de vapor de água em suspensão na atmosfera.

Para que não ajam dúvidas; lembramos que a água terrestre não é uma “fabricação caseira”, mas sim, cosmológica, pois a água é uma das cinco substancias mais comuns do Cosmo.
Sendo que mais de 10% do Universo é algum tipo de água.
Pois a água, (ou óxido de diidrogênio, no formato H2O), é o “solvente” e a “cola universal”, que une as moléculas dos gases, dos líquidos e dos sólidos.

A água surgiu do nada e desapareceu sem deixar vestígios?

Apesar de a água terrestre variar e sofrer efeitos físicos, no Ciclo hidrológico conhecido como chuva, (ou seja, no Ciclo de evaporação e de precipitação da água terrestre), não haveria perdas, pois o planeta Terra é um “Sistema fechado”, onde o total da sua água é constante.
E só é modificado o volume da “água doce” disponível.

Pois a água terrestre existe desde começo.
Veio do espaço extra-atmosférico.
É um presente do Cosmo.
E toda a água atual é a mesma água dos tempos primitivos e imemoriais, pois a “Lei de conservação da energia”, prova que no planeta Terra não é possível criar ou mesmo destruir a energia, mas apenas transformá-la.

Embora o degelo das Geleiras e das Calotas Polares tenha a capacidade de elevar o nível do mar ou de fazer parecer que aumentou a quantidade de água líquida existente no planeta.
O degelo não seria suficiente nem para inundar todo o planeta Terra, que dirá encobrir todas as montanhas.

A água que você acabou de beber, já teria sido algum rio, alguma nuvem, alguma parte do mar ou alguma parte dos seres que já existiram.
Já teria sido arrastada pelas enxurradas dos tempos antigos.
Ou já teria passado pela bexiga de algum dos nossos ancestrais.

Um Calor de 300°C. E uma Pressão atmosférica igual a do mar profundo



Já que para inundar todo o planeta Terra, a ponto de encobrir todas as montanhas mais altas, seria necessária uma descomunal nuvem, com o diâmetro equatorial de 12.000km e mais de 8.000 metros de altura.
Considerando que o vapor de água tem peso.
E considerando que a pressão atmosférica depende do peso e da quantidade de gases que se encontram na atmosfera.
Chega-se a conclusão de que, na hora do Dilúvio, a Pressão atmosférica ao nível do mar seria tão elevada que esmagaria tudo o que houvesse, inclusive a suposta Arca de Noé.

Como a Condensação (também conhecido com liquefação), ou seja, o fenômeno da passagem de Vapor para o Estado líquido, libera calor.
Caso o Dilúvio tivesse acontecido, a torrencial chuva capaz de em apenas 40 dias encobriu até as montanhas mais altas...
Teria liberado uma energia calorífica tão forte, que cozinharia os “passageiros” da Arca de Noé.
E faria com que todos os Oceanos fervessem.
Os cálculos do geólogo norte americano Arthur Strahler, mostram que o calor liberado pela chuva do Dilúvio seria suficiente para elevar a temperatura atmosférica a mais 400°C.

Provas de que o Dilúvio é uma fraude


Apesar do “Dilúvio” ser mencionado por diversos povos espalhados pelo mundo;
É ridículo que em pleno Século XXI, ainda se acredite no relato arcaico e absurdo fornecido pelo Gênesis 7:11-12, onde é afirmando que, No ano 600 da vida de Noé, no dia 17 do mês de setembro, as “janelas do Céu” se abriram, fazendo cair sobre a Terra, uma copiosa chuva de 40 dias e 40 noites...

Pois não existe evidência geológica ou provas paleontológicas para as Afirmações bíblicas de que houve um Dilúvio universal. De que o Dilúvio teria coberto as montanhas mais altas.
De que as montanhas teriam ficado cerca de 7 metros abaixo do nível das águas.
De que tudo teria permanecido submerso por mais de quatro meses.
De que o Deus dos hebreus teria advertido Noé sobre o Dilúvio cerca de 120 anos antes do “castigo divino” acontecer. Ou de que toda carne existente na época teria morrido afogada.

Como as nuvens acumulam menos de 0,002% da água existente no planeta Terra, questionamos:

01-De que forma a chuva do Dilúvio teria aumentado a água terrestre, ao ponto de submergir mesmo os lugares que se encontram a mais de 8.850 metros de altitude; como o pico do Monte Everest, localizado entre a China e o Nepal?
02- De que lugar a água teria vindo? E para onde a água do Dilúvio teria sido drenada?
03- Ao inundar o planeta... A água do Dilúvio teria provocado uma catástrofe que dizimou quase toda a vida terrestre e marinha?
04- O Dilúvio teria reduzido à salinidade dos mares e modificado o delicado equilíbrio que por milhões de anos vinha mantendo a quantidade de sal existente nos mares em cerca de 40 gramas por litro de água?
05- Por que não foram encontrados os incontáveis esqueletos dos afogados? E os vestígios arqueológicos de tudo o que andava, rastejava ou voava?
Além de ser correto que os vestígios não teriam marcas de doenças.
A maioria dos esqueletos seria de jovens. E estariam nos lugares onde o “Dilúvio” os teria depositado.
06- Por que não se achou alguma prova arqueológica ou conclusiva do Dilúvio?
07- Por que culturas bem documentadas como a chinesa, mesmo tendo registros que remontam a mais de 6.000 anos, não relatam nada a respeito do mitológico Dilúvio bíblico?
08- Por que a Bíblia mentiu que, Todas as vezes que o arco-íris brilhar entre as nuvens, serviria para lembrar o acordo feito entre Noé e o suposto Deus Jeová? Se o arco-íris é apenas um fenômeno luminoso resultante da dispersão da luz solar nas gotículas de água em suspensão na atmosfera...
Um fenômeno mais antigo do que Noé, e mais antigo até do que a vida terrestre...
09- Apesar de em 2000, os caçadores de tesouros submersos terem descoberto na Mesopotâmia (onde hoje é o Iraque), uma camada de lama com cerca de 3 cm que separaria os artefatos paleolíticos das antigas construções humanas, e a camada tenha sido chamada de diluviana... A camada em questão não é uma prova do Dilúvio, pois as análises detalhadas da mesma mostraram que a lama encontrada na Mesopotâmia, não possui fósseis dos seres que o Dilúvio supostamente teria matado.
E a lama em questão teria se originado das enchentes naturais dos rios Tigre e Eufrates.
Pois as geleiras ao derreter geram os rios Tigre e Eufrates.

Fotos de satélites provam que há 6.000 anos, a península arábica foi cortada por um rio criado pelo derretimento do gelo que se formou durante o último Período Glacial.
E que a enchente em questão, só aconteceu nas áreas invadidas pelo degelo das Calotas Polares.

O derretimento de parte da calota polar Norte Americana, teria alcançado o Golfo do México.
E o derretimento de parte da calota polar que cobre a parte oeste da Antártica (não sendo muito estável), teria inundado o Mediterrâneo.
10- Já que a Mesopotâmia é uma religião onde as inundações são comuns, quando houve o “Dilúvio”, ou melhor, a grande enchente, os moradores da região que hoje é chamada de Armênia teriam fugido das áreas alagadas para a Síria, o Irã e a Turquia e difundido sua história.
Até porque, várias lendas plagiadas pelos seguidores de Jeová seriam argumentos simplórios, que têm o objetivo de engrandecer e louvar o nome de Jeová.
11- Como Noé conseguiu reproduzir os diversos tipos de ambientes ecológicos, a fim de evitar que os vegetais, animais e micro organismos retirados de seu ambiente natural morressem, se existe os que só sobrevivem em locais quentes, os que precisão de locais frios, os que habitam lugares encharcados, os que habitam locais secos, os que vivem em locais ensolarados e os que precisam de cavernas escuras?
Valem lembrar que embora o planeta Terra esteja repleto de seres exóticos, estranhos ou tão pequenos que não podemos enxergá-los sem a ajuda dos microscópios, todos eles são importantíssimos para o perfeito funcionamento dos ambientes em que vivem.
12. Se só se salvaram os 06 parentes de Noé e um casal de cada animal... Como se explica que a Terra esteja abarrotada de povos das mais variadas raças? E porque a procriação com indivíduos consangüíneos não deu errado?
13-. Quais as provas de que só a Arca de Noé teria se salvado.
E que cada ser que hoje vive, seja algum descendente dos homens, animais ou vegetais que Noé teria transportado?
14- Se Noé só salvou sua esposa, seu filho Sem (de qual supostamente derivariam os semitas), seu filho Cam (que seria o suposto pai de Canaã), seu filho Japhet e suas três noras...
Como surgiu às raças humanas, com características genéticas diferentes?
15-. Como 08 pessoas inexperientes, sem recursos e vivendo numa época onde o trabalho era braçal, conseguiram construir uma imensa arca e reunir, capturar, transportar, alimentar, higienizar e cuidar de todos os seres espalhados pelo mundo, mas que precisariam ter sido salvos?
16- Como Noé e seus ajudantes conseguiram cuidar dos mais de 50.000.000 de espécies que precisariam ser salvos, se mesmo que eles trabalhassem dia e noite sem parar, para garantir a saúde, a alimentação e a higiene dos que transportavam; cada tripulante teria que cuidar de milhares de “passageiros” ao mesmo tempo?
17- O dever de Noé sendo salvar todos os tipos de seres.
Ou seja, sete casais de cada animal bom para a alimentação e um casal de cada animal imundo (que não serviria para comer).
Noé tendo que salvar a todos ou não salvaria ninguém.
E Noé desconhecendo a fauna e a flora que vive nas florestas, nos solo e nos microcosmos.
Como Noé conseguiu salvar os vegetais e animais que ele não conhecia?
Os que não estariam no local de embarque?
Os que só enxergamos com o auxílio de algum microscópio, mas que são importantíssimos para o meio ambiente em que vivem?
E os que vivem nos Trópicos, nas Américas e nas Regiões Glaciais?
18- Os que inventaram a fábula da Arca de Noé conheciam os micróbios?
Saberiam que a quantidade de micro organismos existente é tão fantástica, que supera em milhares de vezes os animais e vegetal somados?
Teriam entendido que também seria necessário salvar os vegetais, os fungos, a biomassa subterrânea, os microorganismos, os insetos, as aves, os répteis, os animais que ele não conhecia.
E os que nem estariam no local de embarque, como por exemplo, os seres tropicais e americanos?
19-. Além de o Dilúvio ter desconsiderado que os vegetais também são seres vivos.
E ter ignorado as implicações de não se salvar os organismos aquáticos que não possuem glândulas de sal ou não sobrevivem num mar poluído.
O Inventário da “Enciclopédia da Vida na Terra” provou que a biodiversidade vegetal e animal, passam dos 35 milhões de espécies (mais de 50 milhões de indivíduos).
Se distribuem em mais de 30 filos.
Que se subdividem em centenas de classes.
Que por sua vez se ramificam em milhões de espécies.
20- Já que a biodiversidade vegetal e animal são entrelaçados.
Cada espécie regula e é regulada por outra espécie de ser vivo.
E as plantas, os insetos, as bactérias, os fungos e os demais seres vivos vivem em estreita Inter-relação com o meio ambiente e as Leis que regulam a vida.
Caso o planeta fosse coberto pela água do Dilúvio e os rios, lagos e mares se transformassem num único oceano salgado e poluído... Seria deflagrando uma onda de morte pelo planeta.
Além disso, só alguns vegetais resistiriam ficar submerso na água salgada, sem respirar e sem fazer fotossíntese, por cerca de 370 dias.
21- Vale lembrar que, além da temperatura no pico do Everest chega a 720 C negativos...
E a pressão atmosférica ser muito reduzida, no ar que envolve o Everest quase não existe oxigênio.
22- Explique por que, na Turquia não existem papagaios, capivaras, cangurus, pingüins e milhares de outros animais endêmicos, se teria sido lá que eles desembarcaram da Arca de Noé?

Jeová não teve competência para criar uma humanidade que o agradasse?



Embora as crendices sejam achemos que mistura o real com o imaginário, neste século que quebrará paradigmas e romperá com a forma fantasiosa de ver as coisas.
Todos os dias, descobrimos que os “acontecimentos” relatados pela Bíblia são desordenados, imprecisos, exagerados ou inverídicos.
Pois além da paleontologia já ter excluiu a possibilidade de que tenha ocorrido à morte repentina de todos os seres que não foram salvos por Noé.
As histórias religiosas terem pouco rigor científico.
Serem cópias das lendas de outras religiões.
Terem objetivos teológicos, políticos ou mesmo mercadológico.
E foram fabricadas pelos que tinham a preocupação de transmitir ensinamentos autistas ou truncadas.

Uma vez que a mente dos lúcidos é a mente que tudo pode, tudo compreende e tudo percebe, ela despertará para a consciência de si própria.
E criará o conceito de Justiça, que é um Poder Supremo inexistente na natureza.
E que estaria sendo elaborado por nossa civilização.
Pois com sua consciência ecológica, os lúcidos deterão a destruição do planeta Terra.
Bem diferente do Deus Jeová, que por sua incompetência em fazer uma humanidade que lhe agradasse, teria destruído e afogado a todos.

Além da “Arca de Noé” se apenas uma cópia bem elaborada da estória onde, durante uma inundação, os antigos criadores teriam construiu uma barca e transportado vários animais para um lugar mais seguro...

Seria impossível que o Noé possa ter construído de forma artesanal, uma colossal arca, numa região onde não existiam árvores de grande porte, mas apenas arbustos.
E sem usar ferramentas, pregos ou peças de ferro.
Ainda mas que, a “Arca de Noé” iria precisar de gigantescas vigas com até 150 metros.
E os 08 “amadores” teriam que construir de forma artesanal um imenso barco, com o comprimento de trezentos côvados, cinqüenta côvados de largura e trinta côvados de altura.
O que equivale a 150 metros de comprimento, 23 metros de largura e 40 metros de altura.

Se o Dilúvio afogou toda a vida existente no Planeta Terra...
Por que jamais foi encontrados vestígios dos homens, das plantas ou dos animais que supostamente teriam perecido?
Se a Arca de Noé foi construída conforme as instruções existentes na Bíblia, ela não teve capacidade de reproduzir os vários ambientes ecológicos existentes na Terra.
Não conseguiu abrigar todos os vegetais e animais existentes.
E os que servem de “alimento” para outras criações, teriam ficado mais de 375 dias, lado a lado com os seus predadores.

Análise de um Dilúvio absurdo

Para sustentar os absurdos e autoritarismos existentes nas “Sagradas Escrituras”, os teólogos teriam manipulado ou mesmo escondidos vários fatos importantes descobertos pelos geólogos, biólogos e pelos cientistas.
E inclusive usado o ardil de mostrar alguma falha ou imperfeição dos personagens bíblicos, a fim de fazer parecer que seus relatos teriam sido reais, pois um dos objetivos do Gênesis, seria o de contrapor-se e “corrigir” o que era ensinado entre os povos do Oriente Médio antigo, que veneravam centenas de deuses.

Além de o Dilúvio ter vários relatos idênticos ao da milenar lenda da “Epopéia de Utnapishtim”.
Ter objetivos teológicos.
Ser uma tentativa de engrandecer e reforçar os supostos poderes do Deus Jeová.
E misturar lendas com fatos...
Pois ele obedeceria à regra do raciocínio mítico e não as normas da razão da realidade.
Ficou comprovado que durante os 40 anos do cativeiro babilônico, os escribas judeus teriam absolvido a Lenda de Gilgamésh, um híbrido das culturas Suméria e babilônia.
E transformado a Lenda de Gilgamésh no Dilúvio bíblico...


A lenda de Lenda de Gilgamésh foi registrada pela escrita cuneiforme, criada pelos sumérios.
Ela consistia em caracteres em forma de cunha, gravados em tábuas de argila.
No princípio usou-se um sistema pictográfico, mas gradualmente os caracteres foram se transformando num conjunto de sinais silábicos e fonéticos, até chegar a um total de aproximadamente 350.
Todavia nenhum alfabeto jamais se derivou da “Escrita cuneiforme”.

O que Nóe e os animais Comeram, nos 375 dias em que teriam ficado dentro da arca?




Já que em Gen 7:11, relata que, Noé entrou na arca no dia 17, dos 2.° mês do ano 600.
Em GEN 8:13, está escrito que, No 01 dia, do 01 mês, do ano 601, secaram-se as águas sobre a terra.
Mas Noé e os animais teriam ficados na ARCA 01 ANO e 10 DIAS ou seja, 375 DIAS!
Pois só aos 27 dias, dos 02 meses, do ano 601, foi que, Então falou Deus a Noé, dizendo, Sai da arca, tu, e juntamente contigo tua mulher, teus filhos e as mulheres de teus filhos, GEN 8 :14.

RELAÇÃO ÁUREA DE EQUILÍBRIO BIOLÓGICO

Já que a “Relação áurea de equilíbrio biológico” entre presas X predador é sempre piramidal.
E para cada “predador” precisa haver um elevado número de “presas”.
Eu questiono como o Noé teria impedido que todos os seres das incontáveis cadeias alimentares se devorassem uns aos outros?

Mesmo após o Dilúvio ter acabado, os que se nutrem de vegetais ou de animais, teriam que esperar que as suas presas se reproduzissem, para só depois poder se alimentar.
Pois caso algum ser devorasse a sua vítima, a vitima morresse ou a vitima perdesse o seu par, a espécie não mais se propagando, desapareceria.

50 MILHÕES DE ESPÉCIES


Além de ser impossível que os mais de 50 milhões de espécies, que habitam os 05 continentes e as várias ilhas, tenham sidos reunidos por tão pouca gente.
Não podemos esquecer que, a biomassa subterrânea, ou seja, a soma da matéria viva existente sob a terra, supera, em volume e em diversidade, tudo o que existe na superfície do planeta Terra.
Até por que, fato do solo sob os nossos pés abrigar mais vida do que toda a superfície, é um dos fatores que possibilita a existência da vida na superfície do planeta Terra.

Para reunir os vegetais, os animais e os micros organismos espalhados pelo mundo, Noé teria construído algum transporte auxiliar, capaz de percorrer o planeta a uma velocidade incrível...
Ou foram os próprios animais e vegetais, que milagrosamente teriam se apresentado a fim de embarcar?

Se não bastasse que as “perdas” vegetais e animais fossem imensos e só sobrevivessem os que resistissem ao frio, á fome, a água salgada, ao Sol encoberto, ao pouco oxigênio, a pressão atmosférica e ao cansaço.
Já que tudo no planeta está interligado e para que o meio ambiente não termine se envenenando a evolução fez com que o ar, os dejetos e as substâncias rejeitadas por alguns, sejam indispensáveis para outras formas de vida.
Pois o valor de cada ser independe da sua utilidade para o homem.
Os que precisam pousar para descansar e os que respiram pela pele, também morreriam.
Assim como, os insetos que se alimentam de folhas, frutos e néctar.
E morreriam os pássaros que se alimentam de insetos, larvas, sementes, frutos ou folhas, deflagrando uma reação em cadeia letal que precisaria de milhões de anos para ser refeita.

A escalada do monte improvável




Além das “Escrituras Hebraicas” não mencionar o nome do Monte onde a suposta “Arca de Noé” teria repousou. E apenas fantasiar que, “Até as montanhas mais altas teriam ficado submersas”...
O Dilúvio seria apenas uma lenda mitológica aceita pelos que preferem acreditar a ter que investigar, pois o Monte Everest, com seus 8.848 metros de altitude é cerca de 4.600 metros mais alto do que o Monte Ararat, que só tem 4.200metros.

Através dos séculos, a Bíblia modificou o “Gênesis” e afirmou que, o Monte Ararat seria o local onde após o Dilúvio, a Arca de Noé teria tocado terra firme...
Todavia o “Monte Ararat” (persa آرارات; hebraico אררט), localizado no extremo nordeste da Turquia, a 16 km a oeste do Irã e a 32 km ao sul da Armênia, não é uma montanha composta por depósitos sedimentares, mas sim, um vulcão extinto.
Além do Monte Ararat ter a forma de um cone, ser cheio de abismos, ser formado pelo magma que aflorou a superfície.
No Inverno a temperatura do Monte Ararat chegar aos 10 graus negativos; a sensação térmica provocada pela ventania que fustiga este local inóspito dobrar o frio, fazendo com que as partes expostas congelem em minutos.
A neve pode ultrapassar 10 m de espessura.
E à medida que se sobe, aumenta o frio, mas a pressão e o volume do oxigênio existente no ar, vão diminuindo.

Os seres que vivem em locais quentes, ou que têm parte da sua respiração feita através da pele, não suportariam desembarcar numa montanha gelada, íngreme, onde a pressão atmosférica seria fraca e haveria pouco oxigênio.
Pois os “passageiros” da Arca não superariam o “Mal agudo de montanha”.
Ou seja, “O mal de altitude”, que se caracteriza pela dificuldade de respirar num local com pouca pressão e pouco oxigênio, se tem náuseas, se tem tonteiras, se fica com o cérebro inchado, se tem necroses provocada pelo frio e os órgãos entram num processo de falência.

O geólogo inglês Sir Charles Lyell (1797-1875), ao explicar que, as mudanças geológicas são lentas e graduais. Gastam milhões de anos para acontecer.
E que não sucedem catástrofes inexplicáveis como as do Dilúvio bíblico.
Eliminou a fantasia catastrófica do Dilúvio, que teria acontecido próximo de 2.370 a.C. Ou seja, a cerca de 4.400 anos.
E ajudou provar que o Dilúvio não passou de uma inundação descomunal, que só ocorreu num pequeno pedaço do planeta.

Como os cristãos desejam enfeitar e reforçar os supostos poderes do Deus Jeová, eles fabricaram o Dilúvio plagiando e refinando a didática lenda de Utnapishtim.

Será que depois do suposto Dilúvio Noé teria mesmo vivido cerca de trezentos e cinqüenta anos?
Todos os dias da vida de Noé teriam sido cerca de novecentos e cinqüenta anos?
como Noé teria tido saúde e disposição para construir e cuidar da arca, se na época do Dilúvio